Publicado em: 16/03/2026
A docente do curso de Psicologia e coordenadora do Centro de Psicologia Aplicada - CPA da Universidade de Araraquara – Uniara, Ana Maria Logatti Tositto, orienta sobre os cuidados com a saúde mental e aborda sobre os principais sinais aos quais devemos estar atentos em casos de tentativas de suicídio.
Ela explica que “o suicídio é um fenômeno multifatorial e que não existe uma causa única, mas sim, uma combinação de fatores que podem levar a esse desfecho”. “Temos alguns fatores de riscos como transtornos mentais, depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia, que estão presentes na maioria dos casos, mas muitas vezes não diagnosticados ou tratados de forma inadequada. O abuso de substâncias, traumas, perdas recentes e isolamento social também são gatilhos significativos”, alerta.
“É importante entender que cuidar da saúde mental é tão vital quanto cuidar da saúde física e o acompanhamento profissional reduz o estigma e oferece ferramentas de enfrentamento para que o indivíduo não veja a morte como a ‘única solução’ para uma dor que parece ‘insuportável’. Familiares e amigos são a primeira rede de proteção, de apoio, portanto, fiquem atentos as mudanças bruscas de comportamento”, enfatiza.
Ana Maria conta que é importante verificar se existe “o isolamento, o afastamento de amigos, da família e de atividades que antes davam prazer”. “Atenção com falas de despedida e frases como: ‘eu queria sumir’, ‘vocês ficariam melhor sem mim’ ou ‘não aguento mais’. Outro sinal evidente é o desleixo com a aparência, higiene ou a saúde, além da atenção com comportamentos de ‘resolução’, como doar pertences valiosos, escrever testamentos ou organizar pendências de forma repentina”, revela.
“Existem algumas formas de ajudar como, por exemplo, ouvindo essa pessoa com empatia, sem julgamentos, validando a dor e mostrando que a pessoa é importante, além de incentivar a busca por uma ajuda profissional. Evite dar sermões, lições de moral ou minimizar o sofrimento dizendo que ‘isso é frescura, tem gente pior’, além disso, prometer segredo, em casos de risco, pois a segurança vem em primeiro lugar”, ressalta.
“Pósvenção”
Ana Maria revela que “quando se fala em suicídio, o foco recai quase inteiramente na prevenção”. “No entanto, existe um pilar da saúde mental tão vital quanto o primeiro, mas ainda pouco discutido, que é a pósvenção. Este conceito refere-se ao cuidado direcionado aos ‘sobreviventes do enlutamento’, que são os familiares, amigos e pessoas próximas que permanecem após uma perda por suicídio”, relata.
“Diferente de outros tipos de luto, a morte por suicídio carrega um peso social e emocional devastador. Estima-se que, para cada vida perdida, entre seis e dez pessoas são severamente impactadas. Esses sobreviventes enfrentam um luto complexo, frequentemente marcado por culpa e autocensura, onde o questionamento constante sobre ‘o que eu poderia ter feito de diferente’. O estigma e isolamento, quando existe a vergonha perante a sociedade que, muitas vezes silencia a dor da família, além do risco de contágio, pois sem o suporte adequado, o sofrimento extremo pode se tornar um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais entre os que ficaram”, explica.
Ela enfatiza que “acolher essas pessoas é uma estratégia de saúde pública fundamental para interromper o ciclo do sofrimento”. “O apoio envolve oferecer uma escuta sem julgamentos, validar a dor da perda e, principalmente, oferecer acompanhamento profissional e grupos de mútua ajuda. Falar abertamente sobre o tema, com ética e responsabilidade, não incentiva o ato, pelo contrário, ao dar voz à dor e mostrar que existe suporte tanto para quem está em crise quanto para quem vive o luto, transformamos o silêncio em uma rede de proteção e esperança”, ressalta.
Ela reforça os canais de ajuda para quem está passando por esse sofrimento. “A ajuda deve ser profissional e acessível e os principais canais são o Centro de Valorização da Vida - CVV, com atendimento gratuito e sigiloso pelo número 188, disponível 24 horas por dia, por telefone, chat ou e-mail. Também tem os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, que são unidades do Sistema Único de Saúde - SUS especializados em saúde mental, espalhados por todo o país”, revela.
“Em casos de emergências, de tentativas em curso, deve-se acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, pelo telefone 192, ou os Bombeiros, pelo 193. Nos hospitais e Unidades de Pronto-Atendimentos – UPAs, existem o pronto-atendimento para crises agudas de saúde mental. Além disso, temos os plantões de Psicologia no Centro de Psicologia Aplicada da Uniara, realizados sempre às quartas-feiras, às 16h e às 17h, e às quintas-feiras, às 17h e às 18h, exceto em feriados. O telefone para contato é (16) 3301-7373”, finaliza a docente.
Informações sobre o Centro de Psicologia Aplicada da Uniara podem ser obtidas pelo telefone (16) 3301-7373. Detalhes sobre o curso de Psicologia da universidade estão disponíveis no endereço www.uniara.com.br ou pelo telefone 0800 55 65 88.
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